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Um pedido com educAÇÃO

Li alguns livros que falam sobre a maior idiotice dos homens, a guerra. Até hoje nenhum deles justificou o motivo de tanto ódio por pessoas que nunca nem se viram. Li relatos de sobreviventes de campo de concentração e vi, não só pelas fotos, mas principalmente nas palavras eternizadas nos livros, o que nenhuma pessoa devia presenciar. Câmaras de gás construídas por grandes engenheiros. Crianças envenenadas por médicos instruídos. Bebês assassinados por enfermeiras treinadas. Mulheres mortas a tiros por ginasianos e universitários.

Porém, o que me deixa triste mais ainda é que atualmente nós vivemos uma guerra constante e vejo nos noticiários as mesmas coisas se repetirem. Padres com o conhecimento da palavra de Deus, acusados de pedofilia. Enfermos assassinados por médicos especialistas por aprovar a eutanásia. Crianças sendo estupradas por médicos conceituados; advogados criminalistas envolvidos em tráficos; juízes de carreira sentenciando inocentes; educadores se prostituindo; Entre outros casos que acontecem diariamente, tudo isso me fez parar um pouco no meu silêncio e desconfiar da educação.

O que nós estamos formando afinal nas escolas e universidades? Será que essa guerra desenfreada pelo primeiro lugar em vestibulares, essa competição desumana que torna os nossos filhos obrigatoriamente em seres individualistas, não os faz tornarem-se máquinas de somar, frios e calculistas?

Vejo a cada dia pais se preocuparem com o poder aquisitivo que o filho possa ter ao se formar, como se ele fosse, e realmente o é, um investimento bancário e não um ser humano em formação, tirando do filho que diz amar tanto, os sentimentos de emoção de Ser e pondo, ou impondo nele somente a razão do Ter e rapta dele, por causa do seu projeto ambicioso, a felicidade de viver cada momento de sua vida: brincar na infância; sonhar na adolescência, extravasar na juventude, enfim, de viver doses de emoções e decepções, ingredientes de uma fórmula perfeita ou quase, no processo de crescimento como pessoa e não como máquina registradora.

Afinal, o que realmente o mundo está precisando de urgência? Com certeza de mais cidadãos e um pouco de silêncio para ouvirmos quem está ao nosso lado. Chega desta guerra pelo pódium, pois a verdadeira vitória só acontece quando todos ganham. Não vamos cultivar o individualismo em nossos jovens, façamos pensar que ele sempre irá precisar de alguém e que seu sucesso só será completo se souber servir, a nossa principal missão aqui na terra. Formemos mais cidadãos, seja ele analfabeto ou doutor, não importa a sua profissão a seguir.

Começaram as aulas e os vestibulares...O que estaremos plantando para o futuro? Será que algum cidadão que não entendia nada de geometria, mas que sabia somar o amor, multiplicar os gestos de bondade, dividir sua alegria e diminuir a violência social, foi reprovado no vestibular sem chances de ser no futuro aquele médico mais humano que tanto precisamos? Não importa que não seja um doutor, poderá até ser um faxineiro como aquele sobralense que trabalhava no aeroporto em Brasília, o importante é que não perca a capacidade de ser humano, requisito que tem o maior índice de reprovação nas pessoas, infelizmente.

Por isso me vejo na obrigação de fazer o mesmo pedido que fez um sobrevivente de um campo de concentração às pessoas envolvidas na educação e na formação dos nossos educandos: “ Ajudem os nossos jovens a serem humanos. Não deixe que seus esforços produzam monstros cultos, psicopatas hábéis ou assassinos instruídos. Ler, escrever, saber história, química e aritmética só são importantes se servirem para tornar nossos filhos mais humanos” .

Escritor - Membro do Centro Cultural Dom José / Sobral

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