Beta
Busca:   


A poesia numa lágrima

Num de meus passeios vespertino durante minhas férias, eu sai somente com Déborah, pois Barbarah resolveu ficar regando, em companhia de sua mãe e sua Vovó Socorro, as flores que perfumam a Chácara Edmilson Gadelha nome in memorian ao meu sogro.

O carro deslizava lentamente sobre o solo pedregoso e deixava para trás um véu avermelhado de poeira, escondendo de nós cada metro ultrapassado, apagando o cenário com a nossa passagem e só deixando existir o momento seguinte.

Aquilo me fez meditar um pouco na vida, principalmente na silenciosa vida de Déborah que como um anjo surgiu na minha vida assim tão de repente, cheia de poesias para me presentear em cada gesto seu ... em cada olhar.

Lembrei que ela em dezembro completará treze anos de idade, mas ainda é uma criança de meses e vive num mundo, onde só interessa o momento seguinte, o minuto depois, o passo adiante, a brisa no seu rosto, pois o dia que termina, apenas passa e vira poeira.

Enquanto dirigia, percebi a sua felicidade por está no banco da frente desafiando o vento que afagava seus cabelos dourados, enfeitiçando o sol que entrançava neles alguns fios de luz, me dando a impressão que fossem feitos de ouro. Nem queria saber onde estávamos indo, só não queria voltar tão cedo, muito menos estava preocupada se no tanque a gasolina era suficiente para irmos tão longe. Talvez essa sua indiferença a tudo aquilo que nos angústia no dia a dia que nunca passa, mas nos persegue no dia seguinte, seja o motivo que a faz tão feliz apenas por existir e poder descortinar mais um pôr do sol. Porém, muitos de nós, sufocado de problemas chegamos a nos maldizer o dia tão curto e perdemos as telas em óleo que Deus pinta em diversos tons vermelhos todas as tardes de presente.

Um bando de aves, em forma de V cruzou o espaço rumo ao infinito, parece que são eles as responsáveis para desenrolar o manto cinza que antecede o véu negro da noite que se aproxima nas asas de outros pássaros, ainda fora de cena.

Parei o carro para observar melhor o mergulho do sol por detrás da Serra da Meruoca que inocente se banhava nas águas espelhadas de um imenso açude as margem da estrada que ainda serpenteava à nossa frente até perder-se de vista.

Fez-se um silêncio e Deborah tocou meu braço como se perguntasse porque parei, ou talvez me pedisse para continuar mais um pouco. Mas nada falou que eu pudesse ouvir, apenas olhou nos meus olhos.

É tão raro momento como este, que ao acontece eu escrevo uma poesia, porém desta vez não consegui, pois não encontrei palavras que pudesse descrever a felicidade que senti. Foi tão demorado o segundo que ela permaneceu me olhando que me fez sonhar que fosse finalmente falar.

Vivo esta expectativa e para mim não importava o que fosse dizer, eu queria ouvir sua voz, então, mesmo com medo de quebrar o encanto, perguntei-lhe: O que foi filha? Mas ela apenas sorriu e voltou-se a admirar um ponto qualquer no espaço infinito, ainda em silêncio.

Uma lágrima brilhou nos meus olhos. Acho que aquela lágrima era a poesia que não consegui, com palavras, escrever.

Tem nada não, filha, eu tenho a eternidade para ouvir a sua voz.

E quando o sol recolheu todas as cores e o dia fechou as pálpebras, nós voltamos para a chácara Edimilson Gadelha e fomos recebido pela Barbarah aos gritos: O papai, o papai, o papai... - Ela vôo nos meus braços a me beijar, neste momento outra lágrima surgiu nos meus olhos como se fosse um sol amanhecendo no meu rosto, iluminando-o com um sorriso quando a noite já estendia sobre nós seu manto frio e negro, obrigando surgir no céu as primeiras curiosas estrelas.

Às vezes penso que Barbarah é assim tão docilmente tagarela apenas para compensar o silêncio de Déborah. Que seja! Mas se não for, uma coisa eu tenho certeza: As duas nos fazem ( Suelane e eu) felizes à sua maneira.

Obrigado Deus! O que eu posso querer Mais?

Transcrito do Livro: O Diário de Déborah.

Recomende esta página   Imprimir esta página

Links Patrocinados

© 2002 - 2007 Por Ruben Zevallos Jr.® alguns direitos reservados.
Declaração:
O conteúdo deste site, inclusive os textos, são pessoais e fundamentados exclusivamente nas experiências do Autor; não devendo portanto serem vistos e nem utilizados como orientação ou tratamento psicológico, terapêutico, psiquiátrico ou semelhante. A leitura, uso e indicação, em parte ou na totalidade, bem como as conseqüências ou resultados práticos pela utilização do mesmo, é de inteira responsabilidade do Leitor. Ao Autor não cabe nenhuma atribuição Legal por quaisquer alterações emocionais, intelectuais, sexuais ou de personalidade, ocorridas após a leitura dos textos aqui postados.


Termos de Uso - Privacidade - Alerta - Informar Bug - Acessibilidade

Todo o conteúdo poderá ser copiado desde que devidamente identificado com a origem.

Sendo o nome do autor e com o endereço http://ruben.zevallos.com.br.

Creative Commons
Creative Commons


Alguns direitos reservados

Processada em 0.297s
Brasil
Aprovado - Acessibilidade Brasil
NAC: C976D GKG2G
Veja meus vizinhos na Internet
Valid XHTML 1.1
Valid CSS!
Any Browser
WeZ Stats