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Possuimos o mundo, mas guardamos nada

Possuimos o mundo, mas guardamos nada

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Por: Ruben Zevallos Jr.
Data de Publicação: 15 de março de 2004

Com base no Pai
Com base no AvôA compreensão é algo que raramente é dada de forma completa a todos os seres humanos. Sempre nos falta a percepção completa a respeito de algum assunto para que possamos tomar a decisão mais acertada. Não somos oniscientes e muito onipresentes... Somos simples humanos e mortais. Talvez seja este o motivo de tantas discórdias, guerras e mortes pelo mundo a fora. Essa nossa falta de visão faz crescer de forma daninha, o medo somado ao egoísmo e ao ciúmes. O medo da perda nos toma por completo e nos deixa cegos para o que muitas vezes é claro como um cristal.

O desejo de posse, não somente o desejo, e sim a crença que ela é tangível, real e muitas vezes de direito, nos faz sempre a ter atitudes um tanto errôneas a respeito de tudo. Este erro gera um tanto de outros sentimentos, que egoisticamente pensamos serem os sentimentos corretos. Todos temos a consciência que a posse de alguma coisa, seja um bem ou até uma pessoa, não passa de uma coisa momentânea. Sempre haverá algum momento que deveremos deixar de lado o objeto em questão.

O medo de perder algum dos objetos que imaginamos verdadeiramente possuir, nos faz tomar atitudes um tanto agressivas, como ataques de ciúmes ou ameaças de ataques, visando sempre manter segura a posse, quando você não estiver com ela sob seu olhar.

Quem é que não teve ao longo da vida objetos de posse, como brinquedos, carros, livros e até amores? Todos, muitas vezes poderiam merecer até a sua vida, mas hoje a sua maioria senão todos deixaram de haver interesse? Se isso é um fato na sua vida, porque então brigamos como unhas e dentes por coisas que realmente não são nossas? Coisas pequenas?

Possuir coisas é o que sempre sonhamos. Trabalhamos para possuir um lar, móveis confortáveis, um carro, uma família, currículos etc. O mundo atual é assim. Precisamos sempre possuir alguma coisa, sem as quais não faremos parte da sociedade que vivemos. São como medalhas que o cachorro Mutly, estava sempre querendo do Dick Vigarista. Queremos mostrar para todos o que possuímos.

Mostrar é o que realmente desejamos, mas mostrar para quem? Quando? Mostrar para o nosso próprio ego? Para o nosso eu interior?

Precisamos possuir as coisas como possuímos uma garrafa de um bom vinho. Você a abre, deixa o vinho respirar, serve um cálice, sorve um pouco, mais outro, apreciando cada gole, cada momento, até que a garrafa acaba e sobra somente a memória. Você até pode ter uma adega deste vinho, mas sempre haverá um fim. Não viva somente guardando... CURTA cada momento. Cada gole.

Viver e curtir, se aplica a tudo. Você tem alguma coisa? Curta ela e não fique pensando ou brigando por isso como se a sua vida dependesse disso. Não crie caso com seus relacionamentos, se o seu par está com você, é porque ele assim quer, quando deixar de querer, nada adiantará prendê-lo, brigar ou até ameaçar.

Viver no mundo é possuir ele ao todo... Eu me sinto o possuidor de todos os pássaros, todos os mares e dias. A Lua é minha e o Sol também. É meu e ninguém poderá tirar isso de mim, mas eles também são seus e de todos os seres que habitam este planeta.

Tudo bem, eu não preciso viver brigando por cada coisa que eu conquistei, porque eu sou o possuidor de tudo, mas e a pessoa que tanto amamos?

Eu digo por experiência própria... Nunca se pode prender ou até forçar alguém a amar. O Amor é uma das coisas que doamos de coração. Ele tem que livre para fluir plenamente. Podemos até mostrar apreço, mas nunca DEVEMOS colocá-lo em uma gaiola pensando que poderemos prendê-lo, se assim o fizermos, ele secará e morrerá. O Amor é como uma pássaro silvestre, que canta lindamente todos os dias, quando você o prende, ele nunca mais cantará. O Amor canta e encanta como que declarando a liberdade que tem para dizer isso.

Viva LIVRE e deixe tudo e todos livres também... Demonstre apreço, mas nunca prenda, ou esconda o que você pensa possuir, porque verdadeiramente não possuímos nada. Poderemos perder o interesse, ou até morrer e com isso não guardaremos nada.
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