Por: Ruben Zevallos Jr.
Data de Publicação: 24 de agosto de 2003
Com base no PaiCom base no AvôNão sei para onde a vida vai me levar, não sei onde conseguirei chegar, mas tenho uma certeza, já caminhei MUITO e estou bem longe do inicio do caminho. Longe não para retornar ao começo, mas muito além de onde penso que eu deveria chegar.
Tenho procurado não pensar, tenho me deixado levar, ser carregado pela onda de coisas boas e más. Sinto-me dentro de um grande estômago, sendo digerido até ser jogado ao mar, exaurido na forma de fezes, sem valor, pronto para ser descartado com um simples aperto de um botão.
Sinto-me leve, mas não de leveza. Leve pela ausência de conteúdo. Tal como um vácuo dentro do oco da minha alma. Tal qual uma árvore deve sentir ao ver os anos passarem e ela estática, parada no espaço, somente a observar.
A tristeza me vem como uma brisa leve, mas a solidão do vazio traz a melancolia que abafa como o som da chuva, que cala a mata durante a noite.
Grito na tentativa de conseguir abafar o som da chuva, mas o granizo, cai forte sobre o telhado de zinco, chegando a ponto de não me deixar ouvir sequer meus pensamentos.
Saio correndo em meio à tempestade... Sinto a porrada fria da água gelada, e as picadas ferozes do granizo no meu rosto.
Levanto o meu punho para a tempestade, como que desafiando os relâmpagos... Como que os chamando para uma briga, onde certamente perderei.
Aproveito a sensação de DOR e de inferioridade perante a força viva da natureza, para que eu possa aceitar minhas limitações, não como um ser inferior e sim como um aprendiz perante um desafio, onde se respeita a morte.
Obs: Parte deste texto eu escrevi em 2001.
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